Atividade 1- Ciranda de memórias de nossas alfabetizações na infância: proposta de uma narrativa detalhada do processo de aprendizagem das alfabetizadoras em processo, seu letramento, experiências de alfabetização, escola, professora, métodos, lembranças.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Alexsandra Cardoso da Silva Nunes

                                    Relato de minha alfabetização                                                                           
      Quando iniciei o ensino fundamental, já sabia ler e escrever e adorava fazer “cálculos”. Antes, havia frequentado, dos dois aos seis anos, a Educação Infantil. Minha mãe lembra que não precisei de adaptação, mas ela, sim, pois quando me levou à escolinha, peguei na mão da professora, que ainda se nomeava de "tia", e abanei, despedindo-me dela. Ela foi quem chorou, porém, compreendeu que, daquele instante em diante, a escola seria um espaço de divertimento, aprendizagem e relações saudáveis.
      Com seis anos e meio, entrei na 1ª série. Escola nova, colegas novos, rotina diferente, livros, cadernos, um pátio enorme (na concepção de criança), várias possibilidades. Não lembro, exatamente, como a escola organizou as turmas, contudo, entrei na sala de aula com a fila formada por aqueles que seriam os meus colegas. Aliás, até hoje, alguns daqueles colegas/amigos fazem parte da minha realidade. O nome da minha professora era Kátia.
       Diz minha família que sempre fui uma criança muito curiosa e perspicaz. Também aprendia as coisas com rapidez e autonomia. Imagine na escola. Queria experimentar todos os brinquedos do pátio, participar de todas as atividades. Na sala, queria sempre responder todas as perguntas, escrever no quadro, distribuir os livros e as folhinhas para os colegas, buscar objetos para a professora, ensinar as outras crianças. Conhecia quase todas as músicas que cantavam na aula. E, quando não conhecia, olhava atentamente para a professora para aprender a letra. Uma ou duas vezes ouvindo e balbuciando algumas palavras, já bastavam para cantá-la, com entusiasmo. Quando conheci a biblioteca, foi uma festa. Se fecho os olhos, consigo ver a imagem dos colegas escolhendo livros e eu, sentada no meio das estantes, encantada com tanta história.
      No final dos bimestres, a escola entregava boletins aos pais. Documentos com notas e breve parecer da professora. Minhas notas eram altas. No quesito comportamento, sempre tinha algo do tipo “precisa manter-se sentada em sala de aula, pois como acaba suas tarefas com rapidez, passa de classe em classe para ajudar os colegas e assim poderem brincar”. Meus pais conversavam comigo, dizendo que eu não podia atrapalhar a aprendizagem dos colegas. Deveria esperar todos terminarem as tarefas para depois brincar.
       Meus pais foram muito presentes no período de alfabetização. Adoravam olhar minhas atividades, gostavam de ouvir minhas histórias, participavam de todos os eventos da escola, divertiam-se com a minha lógica para explicar os fenômenos diários. Meu pai suspirava orgulhoso nas minhas apresentações de dança. Minha mãe curtia muito a fase de comprar materiais, sobretudo, cadernos. Ela os encapava com capricho, normalmente com pedaços de tecido. Ficavam lindos. Eles estimulavam a mim e ao meu irmão a desenvolver o raciocínio lógico, por meio de jogos de tabuleiro, principalmente, e o gosto pela leitura. Meu pai era amante de gibis, Tio Patinhas, Almanaque Disney e Mickey eram seus preferidos. Minha mãe devorava livros de suspense e romance. Tínhamos uma assinatura de livros de uma editora. Todo mês recebíamos uma caixa com cinco  títulos diversos. Era uma festa abrir aquela caixa. Quando não brincávamos na rua com a família e com os amigos, estávamos em casa jogando varetas, dominó, Banco Imobiliário, jogos de perguntas e respostas, Scotland Yard, entre outros tantos.
          Lembro bem, numa das conversas que a professora teve com minha mãe, sobre o fato de eu ser uma criança “muito ativa”. A partir daquele dia, a professora passou a me entregar palavras cruzadas, quando eu concluía as tarefas. Até hoje, adoro esse tipo de passatempo. Não recordo de situações que poderiam ser consideradas negativas. Sempre curti muito a escola e tudo o que ela oferecia.
       Hoje, como professora, vejo minhas atitudes nas crianças que compõem a minha turma de trabalho. E adoro o movimento delas. A curiosidade, a alegria de compreender a atividade, de aprender, de construir novos conhecimentos. Sinto-me muito à vontade na escola e acredito que este sentimento passe pelas experiências positivas que tive ao longo de minha formação.


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