Minhas Memórias
Lembro da minha primeira escola, com muito carinho. Chamava-se Escola
Estadual Dr. Alexandre Lisboa, e ficava bem pertinho da minha casa, uma quadra
e meia. Íamos a pé. Usava um avental branco com um laço na gola. Minha mãe
sempre bem cuidadosa - aquele avental era impecável de tão branco. Se fechar os
olhos, sinto até hoje o cheiro do meu lanche. Oh, como as lancheiras eram
perfumadas! Abria a minha lancheira e exalava aquele cheiro de maçã, suco de
limão ou laranja na garrafinha e bolachinha Maria ou salgada, recheadas com
goiabada.
As turmas eram pequenas, muito organizadas. Quando penso na minha
professora, ela está sempre sorrindo. Embora se mostrasse carinhosa, havia um
respeito, um distanciamento muito grande entre aluno/professor. Eu adorava
minha professora, e ir para a escola era fantástico. As brincadeiras no recreio
eram rodas dirigidas, pois o espaço era bem pequeno, acho que iam uma ou duas
turmas de cada vez para o pátio.
Teve um incidente que me marcou muito: estávamos estudando as vogais e a
professora deu uma folha mimeografada com a palavra UVA e um cacho de uva para
pintarmos com tintas. Pintei, com todo capricho, delicadamente com o uso de um
pincel, tinha ficado lindo! Aí, uma coleguinha derramou tinta em cima do meu
trabalho, ficou todo manchado, chorei muito. Fiquei tão triste que lembro até
hoje.
Adorava brincar de professora. Na minha casa, tinha um quadro e giz, e
eu dava aula para minhas irmãs e vizinhas. Mas a melhor e a maior escola era o
pátio da minha casa. Era enorme, com muitas árvores frutíferas, subíamos nas
árvores, comíamos frutas, corríamos, andávamos de bicicleta, montávamos casinha
embaixo das árvores, brincávamos de boneca, fazendo comidinha de folhas bem
picadinhas nas panelinhas. Subíamos em cima da casa. Íamos, que nem macacos, do
muro para árvore e dela para o telhado. Naquela época, as meninas só usavam
vestidos (fala da minha mãe). Ela mandava fazer umas calças horríveis para eu
não sujar os joelhos.
As lembranças dos livros e historinhas vem do meu pai. Todos os dias,
após o banho das três irmãs, todas sentadas em banquinhos, de vestidos
engomados, no pátio de casa, a mãe penteava os cabelos das meninas e o meu pai
contava e inventava historinhas para as filhas. Era lindo! Era mágico! Nossa
imaginação voava com as bruxinhas boas das histórias para outros mundos, mundos
de paz e de muita amorosidade! Sinto muita gratidão, e desejo expressá-la, à
minha família, por essa infância feliz! Gratidão ao curso Alfabetização de
Mundos, por nos proporcionar este reencontro com as nossas crianças interiores,
também por meio desta "Ciranda de Memórias".
