Atividade 1- Ciranda de memórias de nossas alfabetizações na infância: proposta de uma narrativa detalhada do processo de aprendizagem das alfabetizadoras em processo, seu letramento, experiências de alfabetização, escola, professora, métodos, lembranças.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Melina Galvão

Memórias de alfabetização

Minhas memórias de infância vêm carregadas do desejo de ser professora que percorreu a minha trajetória profissional desde os meus quatro anos de idade. Acreditem se quiserem, mas assim como cantores famosos cantam desde pequenos, eu sinto que comecei minha carreira de professora muito pequena. Digo isso, porque minhas alfabetizações de mundos, meu dia a dia, foi vivenciando a rotina da escolinha infantil da minha mãe, que também é professora, além de minha melhor amiga e parceira de descobertas e experiências nessa profissão que é nossa paixão.

Brinquei muito, corri muito, conheci muitas crianças e ao mesmo tempo tinha o desejo de participar de todos os momentos da organização escolar. Assistia as reuniões semanais de professores, acompanhava minha mãe nos atendimentos de pais, entre qualquer atividade do cotidiano de uma escola infantil. Já exercia um papel de liderança entre as crianças, ajudava as professoras. Era um sonho, eu amava e lembro-me dos mínimos detalhes. 

Cresci nesse meio, sempre desejando ser professora quando crescesse. Além dessa convivência tão forte com a minha mãe, tive também a presença ativa do meu pai, que desde sempre conversou muito comigo, sempre me trazendo algum conhecimento novo. Desde como se dirigia um carro, até que eu deveria batalhar para conquistar minhas coisas. Fui educada para ter opinião, para ser uma mulher forte e determinada. Para ser uma cidadã crítica e reflexiva. Isso deu muito trabalho aos meus pais, pois não é fácil lidar com pessoas questionadoras.

Meu processo de alfabetização formal iniciou-se na escolinha da minha mãe, que já tinha uma prática construtivista, lembro-me de participar de avaliações de leitura e escrita, de aprender livremente, de ter a oportunidade de exercitar minhas hipóteses em brincadeiras e atividades diversas. Cheguei à primeira série alfabetizada, e apesar de gostar de estar na escola, me sentia desmotivada com as atividades, que já me eram bem conhecidas, de: preencher linhas, trabalhar com letras descontextualizadas, entre outras. E a melhor alternativa era conversar, eu conversava muito na aula, e isso se transformava em queixas para a família.


Minha mãe começou a enfrentar uma batalha na escola, justificando para professoras e o setor pedagógico os motivos da minha falta de interesse nas aulas, o que culminou em uma oportunidade de fazer uma testagem para ver se eu estava “apta” a avançar para a segunda série. Lembro do dia do teste, um dia difícil, pois as professoras se mostravam contrariadas, me sentia pressionada durante a avaliação, mas consegui vencer o desafio, e fui para a nova turma. A segunda série já fez parte de uma nova fase de adaptação, uma adaptação longa. Lembro de não querer frequentar a escola, de não querer participar das aulas, o que foi sendo superado gradativamente. Mesmo com todas essas emoções nesse início de trajetória escolar e com as dificuldades enfrentadas, sempre gostei muito de estudar. Não tenho traumas ou más recordações, acho que as vivências na escolinha da minha mãe e toda a base familiar que tive foram fundamentais para me tornar quem sou hoje. Tive uma infância deliciosa, construí muitas aprendizagens significativas e me tornei uma profissional apaixonada pelo que faço recheada desses atravessamentos e experiências, analisando criticamente cada professor que passou em minha vida, desde o período inicial da vida escolar, pensando sempre em quais eu me inspiraria e no que eu nunca iria me transformar.