Atividade 1- Ciranda de memórias de nossas alfabetizações na infância: proposta de uma narrativa detalhada do processo de aprendizagem das alfabetizadoras em processo, seu letramento, experiências de alfabetização, escola, professora, métodos, lembranças.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Profª Iara Arrussul Torres

Minhas Memórias 



                                                                                 
Lembro da minha primeira escola, com muito carinho. Chamava-se Escola Estadual Dr. Alexandre Lisboa, e ficava bem pertinho da minha casa, uma quadra e meia. Íamos a pé. Usava um avental branco com um laço na gola. Minha mãe sempre bem cuidadosa - aquele avental era impecável de tão branco. Se fechar os olhos, sinto até hoje o cheiro do meu lanche. Oh, como as lancheiras eram perfumadas! Abria a minha lancheira e exalava aquele cheiro de maçã, suco de limão ou laranja na garrafinha e bolachinha Maria ou salgada, recheadas com goiabada.
As turmas eram pequenas, muito organizadas. Quando penso na minha professora, ela está sempre sorrindo. Embora se mostrasse carinhosa, havia um respeito, um distanciamento muito grande entre aluno/professor. Eu adorava minha professora, e ir para a escola era fantástico. As brincadeiras no recreio eram rodas dirigidas, pois o espaço era bem pequeno, acho que iam uma ou duas turmas de cada vez para o pátio.
Teve um incidente que me marcou muito: estávamos estudando as vogais e a professora deu uma folha mimeografada com a palavra UVA e um cacho de uva para pintarmos com tintas. Pintei, com todo capricho, delicadamente com o uso de um pincel, tinha ficado lindo! Aí, uma coleguinha derramou tinta em cima do meu trabalho, ficou todo manchado, chorei muito. Fiquei tão triste que lembro até hoje.
Adorava brincar de professora. Na minha casa, tinha um quadro e giz, e eu dava aula para minhas irmãs e vizinhas. Mas a melhor e a maior escola era o pátio da minha casa. Era enorme, com muitas árvores frutíferas, subíamos nas árvores, comíamos frutas, corríamos, andávamos de bicicleta, montávamos casinha embaixo das árvores, brincávamos de boneca, fazendo comidinha de folhas bem picadinhas nas panelinhas. Subíamos em cima da casa. Íamos, que nem macacos, do muro para árvore e dela para o telhado. Naquela época, as meninas só usavam vestidos (fala da minha mãe). Ela mandava fazer umas calças horríveis para eu não sujar os joelhos.
As lembranças dos livros e historinhas vem do meu pai. Todos os dias, após o banho das três irmãs, todas sentadas em banquinhos, de vestidos engomados, no pátio de casa, a mãe penteava os cabelos das meninas e o meu pai contava e inventava historinhas para as filhas. Era lindo! Era mágico! Nossa imaginação voava com as bruxinhas boas das histórias para outros mundos, mundos de paz e de muita amorosidade! Sinto muita gratidão, e desejo expressá-la, à minha família, por essa infância feliz! Gratidão ao curso Alfabetização de Mundos, por nos proporcionar este reencontro com as nossas crianças interiores, também por meio desta "Ciranda de Memórias".

Um comentário:

  1. Que belas recordações Iara, ler tuas memórias me fez lembrar de meu avô e avó queridos, teus pais....
    Voltei aos meus tempos de Oswaldo Aranha, bons tempos.... Gratidão...

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