Atividade 1- Ciranda de memórias de nossas alfabetizações na infância: proposta de uma narrativa detalhada do processo de aprendizagem das alfabetizadoras em processo, seu letramento, experiências de alfabetização, escola, professora, métodos, lembranças.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Profª Rosana de Moraes

     Memórias Afetivas de Alfabetização e Letramentos na Infância

                                                                           

                                                                                                          

 Primeiros processos de letramento:

      Meu primeiro contato com o letramento foi através dos rótulos de alimentos. Os saquinhos do leite Mi-Mi, que a mãe lavava e cortava para fazer cortininhas de plástico (lembro ainda do cheiro do leite), e as latinhas de leite Ninho, que nós “roubávamos” e nos afogávamos escondidos, porque era denso e trancava na garganta. Sabia de cor qual era leite em pó e qual o leite de saquinho.

Lembranças da escola:

       Da escola, lembro-me das cobrinhas e voltinhas. O cheiro da pasta misturado com os lápis de cor e pão, que eu levava de merenda e as letras A a – Abelha, B b – Bola. 
      Algumas vezes eu chorava, não queria que a mãe fosse embora, quem me acalmava era o senhor que cuidava do portão e me pegava pela mão. 
      Eu gostava, gostava muito de ir para a escola e cuidava do meu caderno para não criar orelhas. Faz muito tempo, minha memória falha, sei que em algum momento tinha o Alfabeto na parede e a frase: IVO VIU A UVA! 
      Na passagem da letra bastão para a cursiva, passei trabalho, não entendia o processo de emendar uma letra na outra, o bom e velho caderno de caligrafia me ajudou nessa etapa penosa.
      Gostava muito da hora da leitura, e ficava toda boba quando a sora chamava as “outras” para me apreciarem.

Sobre Ler e Aprender na Vida:

      Da alfabetização de mundo, tive ajuda do Pai, que sabia um pouco mais que a mãe e tinha um jeito especial de ensinar a divisão, o que, aliás, só fui entender que era o contrário da multiplicação, em casa, tendo ele como professor. Mas nem tudo eram flores, muito tomei cascudo por não decorar a tabuada, fazia voltas em torno da casa, e ai de mim, se ao chegar, o Pai fosse tomar a tabuada e eu errasse, lá vinha cascudo, às vezes, até uma surra.
      Sempre fomos da leitura lá em casa, o pai incentivava e comprava gibis e depois, na adolescência, comprava uns livros de romance, Julia ou Sabrina, que minha irmã e eu devorávamos... Ah, que tempo bom de lembrar! 
      Sobre leitura de rua, teve uma vez que estávamos no ônibus, o pai e eu, e olhei pela janela e disse: _olha que tri, pai, o esqueleto de ferro! Meu pai caiu na risada, primeiro, porque achou engraçado eu falar “que tri”, catarinense que era, e explicou que era o Monumento aos Açorianos, que só bem mais tarde fui entender a complexidade da escultura.
      Foram muitas e tantas, foram passeios de bici, idas ao Mercado Público, passeios nos Morros de Porto Alegre, excursão para o Lami e Belém Novo, enfim, uma infinidade de aprendências, que já nem lembrava, se não fosse por ter começado esse relato. 
      Gratidão ao velho Elio, meu pai, professor de vivências sem saber, sem eu saber que estávamos juntos nessa caminhada plena de letramento e alfabetização de mundos.

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